Os Bororo vivem atualmente em seis terras indígenas demarcadas no Estado do Mato Grosso. São falantes da língua Bororo, pertencente ao tronco linguístico Macro-Jê, e constituem uma população de mais de dois mil indivíduos. Possuem intensa vida ritual marcada principalmente pela celebração de rituais de passagem, como nominação, iniciação e funeral, quando ocorrem as mudanças de categoria social dos indivíduos.

 

Na década de 1950 Vladimir Kozák, responsável pelo Setor de Cinema Educativo do Museu Paranaense, fez o registro do ritual funerário dos Bororo Oriental, na região do rio São Lourenço. São fotografias, filmes, desenhos, pinturas e anotações em cadernetas de campo que reúnem informações sobre as diversas etapas deste complexo ritual. Uma parte deste material foi publicada na revista Natural History em janeiro de 1963.

 

"Quando ocorre uma morte entre os Bororo todos os membros da sociedade deixam de lado as atividades de sua rotina por várias semanas e, juntos, realizam cerca de 30 rituais distintos, que constituem sua elaborada e prolongada cerimônia funeral."

A morte de um Bororo é sempre atribuída ao espírito Bope, identificado com a onça. Por isso, no ritual, um representante do morto é escolhido para caçar uma onça. O Xamã mediador entre o mundo dos vivos e dos mortos esfola e pinta a pele do animal e a entrega aos parentes do morto. Inúmeros cantos e danças são realizados pelos homens, com pinturas e adornos plumários elaborados, para acalmar o espírito da onça morta.

 

O morto é sepultado duas vezes. O primeiro sepultamento acontece no pátio da aldeia, próximo à Casa dos Homens. Então, depois de um mês os ossos são desenterrados e levados a um córrego onde são lavados, em um ritual. Em seguida os ossos são transportados para a aldeia e ricamente adornados.

 

As mulheres parentes do mortos fazem pequenas incisões nos braços e no peito da viúva, fazendo com que o sangue escorra. Os homens agitam os chocalhos e entoam canções de lamentação. O ritual termina quando os ossos dentro de uma cesta, ao som de zunidores, são levados para fora da aldeia para serem enterrados no pântano em uma cova profunda.