A população Ka'apor, falante de língua da família Tupi-guarani, conta com aproximadamente 1.800 pessoas. A maioria vive principalmente na Terra Indígena (TI) Alto Turiaçu, no Maranhão, e, em menor número, junto com os Guató na TI Alto Rio Guamá, no Pará. São conhecidos pela beleza e perfeição na confecção de adornos plumários.

 

Entre novembro de 1958 e março de 1959, Kozák visitou a aldeia de Apin, também chamada Anakanpukú, na margem do rio Coaraci-Paraná, no Pará. Lá, teve a oportunidade de registrar em filmes e fotografias o ritual de nominação Ka'apor, denominado ta'yn hupiriha – levantamento de criança.

 

Neste ritual, que reúne convidados de outras aldeias, são "batizadas" crianças entre dois e três anos, que na ocasião recebem seus nomes dos padrinhos. Um dos meninos que recebeu seu nome em fevereiro de 1959 foi Myrapirã, neto do chefe Anakanpukú, conhecido por confeccionar magníficos adornos de plumária para si e para lideranças de outras aldeias. Na mitologia Ka'apor as belas cores das penas dos pássaros, utilizados para confeccionar os cocares, colares, tembetás e testeiras emplumados, foram roubadas do arco-íris.

Os registros mostram que os pais de Myrapirã, Pirangwa e Mã Putyr, e o casal de padrinhos do menino, Inajare Rixã e Makin, foram os responsáveis pelos preparativos da festa. Eles produziram o cauim, bebida fermentada de beiju de mandioca, e grandes cigarros enrolados em casca de tauari para serem distribuídos entre os convidados. Na noite anterior à nominação, todos beberam, fumaram, cantaram, dançaram e contaram histórias míticas.

 

Na manhã seguinte, homens e mulheres pintaram-se com urucum, enfeitaram-se com seus adornos plumários e desfilaram pelo pátio da aldeia. Myrapitã foi carregado pela mãe em uma tipoia emplumada. Todos dirigiram-se para a casa cerimonial, onde os homens sentaram-se em redes e as mulheres em esteiras de babaçu. Ao amanhecer, a madrinha ergueu a criança e a entregou ao padrinho. Ele dançou com o menino e em seguida revelou o nome a todos. O ritual terminou com a troca de redes e esteiras entre pais e padrinhos.