Os Kaingang, falantes de língua Jê, vivem atualmente nos estados do Paraná, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, em terras indígenas (TI) e em áreas urbanas. Possuem uma população com mais de 45 mil pessoas – destas, aproximadamente 12 mil residem no Paraná em 13 terras indígenas demarcadas ou em processo de demarcação. Recebem educação bilíngue e assistência médica. A economia é voltada para o plantio de roças e venda de artesanato, principalmente da cestaria.

 

Nos anos 1960 Vladimir Kozák visitou a Terra Indígena Ivaí, nos municípios de Manoel Ribas e Pitanga, e a Terra Indígena Marrecas, em Turvo e Guarapuava. Na TI Ivaí fez registros fotográficos em preto e branco e na TI Marrecas produziu um curta-metragem de 12 minutos, com imagens em filme 16 mm das moradias dos indígenas, da floresta de araucárias e de atividades cotidianas de homens e mulheres Kaingang.

São cenas das mulheres envolvidas nos cuidados com os filhos, na produção de farinha de milho com o auxílio de um monjolo de tração humana, e na confecção de cestos e chapéus para uso e comercialização. Os homens, por sua vez, aparecem ocupados com a confecção de cestos de trabalho, com a malhação do feijão para debulho das vagens e com a coleta de pinhão, realizada a partir de uma habilidosa técnica de escalada nos pinheiros de araucária.

 

Alimento tradicional da culinária Kaingang o pinhão coletado entre os meses de março e maio era consumido o ano inteiro como farinha, ou conservado, armazenado em um cesto dentro do rio.