O povo indígena Kuben Kran Krên vive nas Terras Indígenas Kayapó e Badjônkorê, junto com outros subgrupos Kayapó, na região do baixo rio Xingu, no Estado do Pará. Falantes da língua Kayapó, pertencente ao tronco linguístico Macro-Jê, são conhecidos pelo refinamento da pintura corporal e pelo ritual de iniciação dos meninos – Bémp Kororoti.

 

Entre 1954 e 1955 Kozák visitou os Kuben Kran Krên duas vezes, na aldeia Kriraiti, próxima à Cachoeira da Fumaça, no Pará. Ele registrou em fotografias, filmes, desenhos, pinturas e anotações em caderneta de campo cenas do cotidiano e do ritual Bémp Kororoti; fez imagens do banho no Riozinho, da confecção da pintura corporal, e ainda realizou expressivos retratos de homens, mulheres e jovens com seus adornos e pinturas.

 

Em 1955 todos na aldeia estavam envolvidos com os preparativos para o ritual Bémp Kororoti, reunindo víveres para a festa. As mulheres transportavam castanha-do-pará, madeira e mandioca para fazer grandes beijus para a festa, enquanto os homens partiam em expedições de caça e pesca.

Este ritual celebra a puberdade dos meninos pela confirmação dos nomes recebidos no nascimento. No ano em que Kozák registrou o ritual, seis meninos foram homenageados: Apereti, Katembori, Béki, Kaktira, Tune e Kubeniti. Todos tiveram seus cabelos raspados e foram ricamente adornados para desfilarem no pátio da aldeia. Os meninos homenageados usaram adornos específicos, como a grande coroa confeccionada com bambus e penas de arara e o conjunto kutop e àkpari.

 

O kutop é uma espécie de capacete de cera de abelha que sustenta o adorno plumário àkpari por meio de uma haste. Este adorno, segundo a mitologia, representa a descida dos Kayapó de suas antigas aldeias, quando eles viviam no céu.

 

Durante o ritual diversas danças são realizadas no pátio da aldeia, com destaque para a dança da arara, na qual bailarinos com os corpos enfeitados de penas amarelas e verdes dançam em círculos com os braços abertos, imitando o som das aves: KRI-KRI-KRI-KRI-KRA-KRA-KRA-KRA.