Os Xokleng, falantes de língua Jê, viviam em terras tradicionais no Paraná até o início do século XX. Em 1918, após contato, o Serviço de Proteção aos Índios transferiu os Xokleng da região de Palmas para o Posto Indígena Rio dos Pardos. Porém, com a redefinição dos limites do estado do Paraná, essa área situada em Porto União, passou a fazer parte de Santa Catarina.

 

Atualmente, a população Xokleng, estimada em duas mil pessoas, distribui-se em três Terras Indígenas (TI) em Santa Catarina: Rio dos Pardos, Ibirama e Ibirama Laklãnõ. Os indígenas de Ibirama, região do vale do rio Itajaí, preferem ser chamados de Laklãnõ (gente do sol), em substituição ao termo Xokleng, que significa aranha caranguejeira.

 

 

 

 

 

 

Vladimir Kozák, entre 1966 e 1967, desenvolveu pesquisas no Posto Indígena Duque de Caxias, hoje Terra Indígena Ibirama. Nas entrevistas com indígenas mais velhos foram coletados dados etnográficos, como a descrição das habitações nos acampamentos temporários, da caça e da coleta, além dos processos de elaboração do machado de pedra, da cerâmica, do trançado e da tecelagem. Também foram relatados rituais, como casamento, sepultamento e da passagem para a vida adulta, no caso dos meninos com a perfuração dos lábios. Kozák ilustrou em pinturas e desenhos, com muitos detalhes, o casamento da indígena Kula e a prática da cremação. Produziu dois documentários cinematográficos, preciosos registros sobre a manufatura da cerâmica e da cestaria desse povo.